mínimo
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deixar-te ir

            os cabelos intactos

            cortados aos pés de uma santinha

            o vento fremindo

            na expansão aquosa da barra

 

deixar-te ir

            a meta infinita do ser

            a palavra boca

            dentro

            da palavra tempo

 

deixar-te ir

            as pulseiras e os dedos radiônicos

            os anéis o toque o tabaco

                       que enrolei em frente ao mar

 

deixar-te ir

            o sol esbranquiçando a pele

            avançando sobre o vidigal

            sobre a cor rubra das paisagens esquecidas

                     

deixar-te ir

            a confusa lacuna do encontro

            a perda de sentidos e a intuição

            que invade os primeiros minutos das manhãs

 

deixar-te ir

            vestir o fraque e preparar-se para

            o grande incêndio de Nicanor Parra

            o desmoronamento das tristes árvores na calçada

            os genitais velhos chorando

            a inútil inundação individual

 

deixar-te ir

            o fim dos cadernos e dos

            poemas grávidos

            a ausência espumando pelos rostos

 

deixar-te ir

            a descontinuidade

            o sangue ardendo dentro das costelas

a tarde em que me deito

            com teu nome

e esqueço

            (e me esqueço)

                                   (e invariavelmente/repetidamente termino em mim.)