mínimo
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sonhei com você. nos cruzamos caminhando em Berlim. você disse que faríamos uma festa. começando hoje, terminando não sei quando. disse para chamar os amigos. “chama todo mundo”, foi assim que você disse. como se Berlim fosse uma esquina. eu chamei os amores, que viriam como fantasmas. chamei também os desconhecidos, que os incorporavam. “dançamos, dançamos muito naquela festa”, foi assim que você disse enquanto o sonho ia e voltava no tempo, na imprudência de tocar os corpos que me faltam. quando acordei liguei para cada uma dessas pessoas. Ana disse que havia pensado em mim logo cedo. liguei o rádio para dançar. dancei novamente até deformar o calo. o suor que ficava no chão. o sonho, a tristeza, ou o gozo. me alegra e me abisma. a ver que não é só da umidade que um corpo se ocupa, que os encontros também são feitos de rastros, vestígios [dos seres] fulgentes que vivem em nós atravessando.